Carreira

É erro caro ignorar as novas habilidades que o mercado já está exigindo

Aprender competências digitais e comportamentais se tornou essencial para manter a relevância profissional e o poder de compra na maturidade.

É erro caro ignorar as novas habilidades que o mercado já está exigindo
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Ignorar as novas habilidades exigidas pelo mercado pode custar oportunidades profissionais. O Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria e divulgado pelo SENAI, estima que o Brasil precisará qualificar cerca de 14 milhões de pessoas para ocupações industriais até 2027. Desse total, 11,8 milhões correspondem ao treinamento e desenvolvimento de trabalhadores que já estão no mercado.

O dado mostra que a transformação do trabalho não exige apenas a formação de novos profissionais. Quem já está empregado também precisará atualizar conhecimentos para acompanhar mudanças em ferramentas, processos e tecnologias.

Para profissionais acima dos 55 anos, esse movimento tem um nome especialmente importante: upskilling.

O que é upskilling e por que ele importa

Upskilling significa desenvolver novas competências para melhorar o desempenho na profissão que a pessoa já exerce.

Um profissional de vendas, por exemplo, não precisa mudar de carreira para acompanhar a transformação digital. Aprender a utilizar um CRM, interpretar dados comerciais ou usar Inteligência Artificial para organizar informações e preparar propostas já é uma forma de upskilling.

O reskilling é diferente. Ele acontece quando o profissional aprende competências para migrar para outra função ou área.

Em resumo: upskilling é aprender mais para evoluir onde você já está. Reskilling é aprender algo novo para mudar de caminho profissional.

Essa atualização tende a ganhar ainda mais importância nos próximos anos. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das competências essenciais dos trabalhadores devem mudar até 2030.

Experiência continua sendo um diferencial

Atualizar-se não significa deixar de lado tudo o que foi construído ao longo da carreira.

Profissionais maduros podem carregar décadas de conhecimento sobre clientes, mercado, gestão de equipes, tomada de decisão e resolução de problemas. São competências que não surgem apenas com um curso ou uma nova ferramenta.

O desafio está em combinar essa experiência com as novas formas de trabalhar.

Imagine dois profissionais com 25 anos de atuação na mesma área. Os dois conhecem profundamente o setor, mas um deles aprende a automatizar tarefas repetitivas, interpretar indicadores e utilizar ferramentas de Inteligência Artificial no cotidiano.

A experiência continua sendo a mesma. O que muda é a capacidade de utilizá-la com recursos mais atuais.

A atualização digital merece atenção

No Brasil, os dados mostram uma diferença importante no domínio de tarefas digitais mais complexas conforme a idade avança.

Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria em 2026 apontou que 44,5% dos brasileiros declararam domínio médio-alto ou alto de atividades como uso de Inteligência Artificial, planilhas e configuração de programas.

Entre pessoas de 45 a 59 anos, esse percentual foi de 36%. Entre aquelas com 60 anos ou mais, caiu para 9,9%.

Isso não significa que profissionais maduros sejam incapazes de lidar com tecnologia. O levantamento é baseado em autoavaliação e mostra, principalmente, que existe espaço para ampliar essas competências.

E não é necessário se tornar especialista em programação ou tecnologia.

Para muitos profissionais, a atualização pode começar aprendendo melhor as ferramentas que já estão chegando à própria profissão.

Habilidades que estão ganhando espaço

As competências mais valorizadas não são apenas tecnológicas.

O Fórum Econômico Mundial aponta Inteligência Artificial e big data, cibersegurança e alfabetização tecnológica entre as habilidades que mais devem crescer até 2030.

Ao mesmo tempo, pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade, liderança, empatia e aprendizagem contínua seguem entre as competências mais valorizadas pelos empregadores.

Isso significa que o upskilling pode acontecer em diferentes frentes.

Um gestor pode aprender a interpretar dashboards e indicadores. Um profissional administrativo pode melhorar seu domínio de planilhas e automações. Alguém da área comercial pode aprender a utilizar IA para organizar informações e otimizar tarefas.

Também pode significar desenvolver comunicação, liderança, pensamento estratégico ou capacidade de resolver problemas complexos.

Como descobrir o que você precisa aprender

Antes de escolher um curso apenas porque determinado assunto está em alta, vale fazer uma pergunta mais simples:

O que mudou na minha profissão nos últimos anos?

Observe vagas semelhantes à sua, converse com profissionais do setor e identifique quais ferramentas e conhecimentos começaram a aparecer com mais frequência.

Depois, compare essas novas exigências com aquilo que você já domina.

Talvez você não precise de uma nova graduação ou de uma pós-graduação longa. Um curso específico, uma certificação ou até o aprendizado prático de determinada ferramenta pode ser suficiente para preencher uma lacuna profissional.

Onde buscar oportunidades de upskilling

A atualização pode acontecer dentro ou fora da empresa.

Muitas organizações oferecem treinamentos, mentorias, plataformas de cursos ou programas internos de desenvolvimento. Segundo o Fórum Econômico Mundial, 85% dos empregadores pesquisados afirmam que pretendem priorizar estratégias de capacitação de seus trabalhadores até 2030.

Também existem alternativas em instituições como SENAI, universidades, escolas técnicas e plataformas de educação online.

Além disso, aprender não depende apenas de cursos formais. Participar de novos projetos, acompanhar profissionais de outras áreas, testar ferramentas e assumir responsabilidades diferentes também são formas de desenvolver competências.

E a remuneração depois dos 55?

Um levantamento da Senior Sistemas divulgado em 2026, com dados de mais de 956 mil trabalhadores, apontou que a maior remuneração média estava entre profissionais de 46 a 55 anos, com R$ 5.512 mensais.

Por outro lado, o crescimento médio da remuneração foi menor entre profissionais com mais de 56 anos: 5,5%, contra 10,6% entre trabalhadores de até 25 anos.

Esses dados não significam que fazer um curso automaticamente resultará em aumento salarial. A remuneração depende de cargo, setor, empresa, experiência e demanda pelas habilidades adquiridas.

Mas atualizar competências pode ampliar as possibilidades de assumir novas responsabilidades, disputar posições diferentes e continuar acompanhando as transformações da própria profissão.

Experiência e atualização podem caminhar juntas

Depois dos 55 anos, upskilling não significa recomeçar a carreira.

Significa entender quais mudanças estão acontecendo na sua profissão e escolher quais novas habilidades podem complementar aquilo que você já aprendeu ao longo de décadas de trabalho.

Em um mercado que muda rapidamente, experiência continua sendo valiosa. Quando ela encontra novas ferramentas e novos conhecimentos, pode se tornar ainda mais relevante.

Fontes consultadas:

  • Observatório Nacional da Indústria / SENAI, Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027
  • Confederação Nacional da Indústria, Maturidade Digital dos Brasileiros, 2026
  • World Economic Forum, Future of Jobs Report 2025
  • LinkedIn, Work Change Report 2025
  • Senior Sistemas, levantamento de remuneração por faixa etária, 2026

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