Na última Observação de Campo compartilhei uma pergunta que me acompanha há muitos anos:
Como continuamos escolhendo quem queremos ser à medida que o mundo muda ao nosso
redor?
Ao terminar aquele texto, outra hipótese voltou a ocupar meus pensamentos.
Talvez as pessoas não percam espaço porque envelhecem.
Talvez percam espaço quando deixam de aprender.
Desde então, passei a observar essa hipótese em diferentes lugares.
Nas mentorias.
Em reuniões.
Em cursos, quem me conhece sabe o quanto gosto de estudar, não apenas pelo conteúdo, mas
pelas perguntas, pelas histórias e pelas diferentes formas de enxergar um mesmo problema.
Em eventos de networking, onde faço questão de conversar com pessoas dos mais diversos
setores. Descobri há muito tempo que ampliar nossa rede também amplia nossa forma de pensar.
E, naturalmente, observando minha própria trajetória.
Quanto mais reflito sobre tudo isso, mais percebo que talvez estejamos fazendo a pergunta errada.
Perguntamos se a Inteligência Artificial substituirá profissionais experientes.
Talvez a pergunta mais interessante seja outra.
O que realmente transforma tempo em experiência?
Durante muitos anos acreditamos que experiência era consequência do tempo.
Hoje começo a levantar outra hipótese.
Experiência não é o tempo que passou.
É o conhecimento construído pela execução, refinado pela reflexão e transformado em novas
escolhas.
Essa diferença parece sutil.
Mas muda tudo.
Duas pessoas podem trabalhar durante trinta anos na mesma atividade.
Uma apenas repete a mesma rotina.
A outra experimenta.
Erra.
Acerta.
Lidera.
Recomeça.
Aprende.
Compartilha.
Reflete.
As duas acumularam o mesmo tempo.
Mas não construíram a mesma experiência.
Começo a acreditar que o grande diferencial desta nova revolução tecnológica talvez não seja o
acesso ao conhecimento.
Conhecimento nunca esteve tão disponível.
O grande diferencial continua sendo a execução.
É na execução que descobrimos o que funciona.
É na execução que aprendemos com os erros.
É na execução que transformamos informação em experiência.
Talvez seja por isso que os profissionais que melhor atravessam grandes transformações tenham
algumas características em comum.
Continuam curiosos.
Continuam estudando.
Continuam frequentando cursos.
Continuam conhecendo pessoas que pensam diferente.
Continuam compartilhando aquilo que aprendem.
Continuam aceitando que ainda não sabem tudo.
E, principalmente...
Continuam executando.
A Inteligência Artificial reforçou ainda mais essa percepção.
Ela responde em segundos.
Mas continua sendo o ser humano quem escolhe quais perguntas fazer, quais decisões tomar e
quais caminhos seguir.
Talvez aprender tenha deixado de ser uma preparação para a carreira.
Talvez tenha se tornado uma forma de permanecer vivo intelectual, profissional e humanamente.
E talvez seja justamente essa disposição para continuar aprendendo que preserve nossa
autonomia, fortaleça nosso legado e mantenha viva a liberdade de continuar escolhendo quem
queremos ser.
Experimento da Semana
Observe três pessoas que você admira profissionalmente.
Em vez de perguntar há quanto tempo trabalham, pergunte a si mesmo:
O que elas continuam aprendendo?
E, principalmente...
O que elas continuam executando?
Talvez seja aí que a verdadeira experiência esteja sendo construída.
A pergunta que ficou comigo esta semana
Se experiência não é o tempo que passou, o que você tem construído a partir das
experiências que vive todos os dias?
Na próxima Observação de Campo quero compartilhar porque comecei a acreditar que a segunda
metade da vida não deve ser improvisada.
Ela deve ser projetada.
Comentários
Carregando comentários…