O Diabo Veste Prada 2 não fala sobre moda.

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Fala sobre o tempo.

Saí do cinema imaginando que escreveria um artigo sobre moda.

No caminho para casa, conversando com uma amiga, percebi que nossa conversa havia

seguido um rumo completamente diferente.

Nenhuma de nós comentava as roupas.

Nem os desfiles.

Nem o glamour.

Falávamos sobre o tempo.

Vinte anos depois, quase todo o elenco original voltou para interpretar os mesmos

personagens.

Eles envelheceram.

Assim como nós.

Mas o que mais me chamou a atenção não foram as marcas do tempo em seus rostos.

Foi perceber que todos continuavam vivendo exatamente o mesmo desafio que nós.

Compreender um mundo completamente diferente daquele em que construíram suas

carreiras.

A Inteligência Artificial entrou definitivamente nas empresas.

A comunicação mudou.

Os modelos de negócio mudaram.

As lideranças mudaram.

As novas gerações passaram a enxergar trabalho, carreira e sucesso de outra maneira.

Enquanto tudo isso acontecia, havia algo que permanecia igual.

Todos continuavam querendo fazer diferença.

Continuavam querendo construir.

Continuavam querendo ser reconhecidos.

Continuavam buscando seu espaço.

Continuavam reinventando estratégias para permanecer relevantes.

Foi naquele momento que comecei a levantar uma hipótese.

Talvez o verdadeiro protagonista do filme não seja Miranda Priestly.

Talvez seja o tempo.

E talvez a pergunta mais importante do filme não seja sobre moda.

Seja sobre nós.

Como continuamos escolhendo quem queremos ser à medida que o mundo muda ao

nosso redor?

Essa pergunta me acompanha há muitos anos.

Ela está presente em praticamente todas as mentorias que conduzo, seja com executivos,

empresários, profissionais em transição ou empresas que precisam se reinventar.

Percebo que ela vale para qualquer idade.

E talvez seja exatamente por isso que tenha saído do cinema pensando muito mais na

vida do que na moda.

Vivemos mais.

Trabalharemos por mais tempo.

As transformações acontecem em uma velocidade inédita.

Nesse contexto, comecei a observar que a longevidade profissional deixa de ser apenas

uma questão de carreira.

Ela passa a ser um dos pilares para preservar nossa autonomia, ampliar nossa

abundância, fortalecer nosso legado e manter viva a liberdade de continuar escolhendo

quem queremos ser.

Não escrevo estas linhas para oferecer respostas.

Escrevo porque acredito que algumas perguntas merecem ser exploradas durante muitos

anos.

E quero fazer esse caminho junto com você.

Ao longo desta coluna, compartilharei observações de campo.

Algumas nascerão de filmes.

Outras de livros.

De empresas.

De clientes.

De viagens.

De pesquisas.

E, principalmente, da vida.

Talvez, ao final dessa caminhada, descubramos que a segunda metade da vida não deve

ser improvisada.

Ela deve ser projetada.

A pergunta que ficou comigo esta semana

Como continuamos escolhendo quem queremos ser à medida que o mundo muda ao

nosso redor?

Não tenho uma resposta definitiva.

Mas começo a acreditar que essa seja uma das perguntas mais importantes da

longevidade profissional.

Na próxima observação de campo quero explorar outra hipótese:

Talvez as pessoas não percam espaço porque envelhecem. Talvez percam espaço

quando deixam de aprender.

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