A segunda metade da vida não deve ser improvisada.

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Esta semana uma pergunta voltou a me acompanhar.

Na verdade, ela já me acompanha há muitos anos.

Por que planejamos tão bem nossas empresas e planejamos tão pouco a nossa própria vida

profissional?

Passei mais de quarenta anos ajudando empresas a pensar o futuro.

Planejamento estratégico.

Modelos de negócio.

Crescimento.

Sucessão.

Tecnologia.

E, hoje, Inteligência Artificial.

Sempre achei natural projetar o futuro das empresas.

O curioso é que quase nunca fazemos o mesmo com a nossa própria vida profissional.

E não estou falando daquela lista de desejos que muita gente escreve na passagem de ano.

Estou falando de algo mais profundo.

De pensar, conscientemente, como queremos viver os próximos dez, vinte ou trinta anos da nossa vida

profissional.

Foi exatamente essa pergunta que começou a fazer sentido quando, aos 47 anos, precisei voltar ao

mercado de trabalho pela segunda vez.

A primeira havia sido aos 22.

Na época, achei que estava apenas procurando um novo trabalho.

Hoje percebo que, sem saber, estava começando um projeto muito maior do que um novo trabalho: a

construção consciente da minha longevidade profissional

Anos depois, acompanhando executivos, empresários e profissionais em transição de carreira, comecei a

enxergar um padrão.

A maioria não tinha um projeto.

Tinha expectativas.

E, muitas vezes, também tinha medo.

Medo do futuro.

Medo de deixar de ser relevante.

Medo de perder autonomia financeira.

Comecei a perceber que expectativas e medo, sozinhos, dificilmente constroem um projeto de vida.

Foi aí que uma diferença passou a fazer sentido para mim.

Expectativas esperam. Projetos constroem.

Foi também nesse momento que comecei a levantar uma hipótese.

Aprendemos a planejar empresas para que permaneçam relevantes ao longo do tempo.

Talvez tenha chegado o momento de aprendermos a projetar, com a mesma intenção, nossa própria

longevidade profissional, preservando autonomia, ampliando nossa capacidade de escolha e construindo o

legado que desejamos deixar.

E não estou falando de currículo.

Nem apenas de permanecer empregado.

Estou falando da capacidade de continuar aprendendo.

Continuar contribuindo.

Continuar gerando valor.

Continuar construindo autonomia.

E preservar a liberdade de continuar escolhendo os próximos caminhos.

Talvez nossa vida profissional nunca tenha sido um mapa de papel.

Talvez ela se pareça muito mais com um Waze.

O destino continua fazendo sentido.

Os caminhos, não.

Eles mudam.

Surgem desvios.

Novas oportunidades.

Imprevistos.

Recomeços.

O Waze recalcula a rota.

E nós seguimos viagem.

A pergunta é:

Nós também recalculamos?

Mudamos a rota?

Testamos novos caminhos?

Corrigimos decisões?

Ou seguimos dirigindo apenas porque um dia escolhemos aquele caminho?

Talvez porque ainda tenhamos aprendido a imaginar a carreira como uma linha reta.

Estudar.

Trabalhar.

Aposentar.

Só que a vida nunca foi assim.

Existem fases de crescimento.

Fases de estabilidade.

Fases de reinvenção.

Às vezes, de queda.

Nenhuma delas é um problema.

O maior risco talvez seja atravessar esses ciclos sem perceber onde estamos.

E, principalmente, sem decidir conscientemente para onde queremos seguir.

Quanto mais observo pessoas que continuam relevantes ao longo da vida, mais acredito que estratégia não

seja apenas uma competência para empresas.

Estratégia é ampliar consciência para escolher melhor antes de agir.

Hoje começo a acreditar que projetar conscientemente nossa longevidade profissional talvez seja uma das

decisões mais estratégicas da vida.

Porque autonomia não acontece.

Ela é construída.

Experimento da Semana

Faça um exercício simples.

Se sua vida profissional fosse uma empresa, você investiria nela da forma como ela está sendo

conduzida hoje?

Ou faria mudanças?

Talvez essa resposta diga mais sobre o seu futuro do que qualquer planejamento de fim de ano.

A pergunta que ficou comigo esta semana

Qual foi a última vez que você parou para projetar conscientemente sua longevidade profissional e

não apenas o próximo passo da sua carreira?

Na próxima Observação de Campo quero conversar sobre uma frase que não sai da minha cabeça:

Longevidade sem autonomia é apenas tempo.

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