Tecnologia

A impressão 3D já está revolucionando a medicina

A tecnologia de manufatura aditiva transforma a vida de milhares de pessoas, oferecendo dispositivos sob medida e mais acessíveis.

A impressão 3D já está revolucionando a medicina
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A tecnologia permite criar dispositivos adaptados à anatomia de cada pessoa, mas parte das aplicações ainda está em fase de pesquisa

Uma prótese produzida de acordo com o tamanho do braço. Uma órtese desenhada para apoiar exatamente a região que precisa ser imobilizada. Um modelo do coração que o cirurgião pode segurar antes de iniciar uma operação. Um comprimido com uma dose pensada para as necessidades de determinado paciente.

Essas aplicações pertencem a diferentes estágios de desenvolvimento, mas partem da mesma tecnologia: a impressão 3D.

Também conhecida como manufatura aditiva, ela permite transformar um projeto digital em um objeto físico por meio da sobreposição de sucessivas camadas de material. Na medicina, essa característica abre espaço para produzir dispositivos com formatos complexos e adaptados à anatomia individual.

No Brasil, um exemplo de aplicação social é o trabalho da Associação Dar a Mão, organização sem fins lucrativos que oferece acolhimento a pessoas com diferenças de membros e suas famílias.

A entidade informa atender mais de 5 mil famílias associadas, distribuídas pelo Brasil e por outros 12 países. Esse número representa a rede atendida pela associação e não a quantidade de pessoas que receberam próteses.

Entre os projetos desenvolvidos estão a fabricação e a doação de dispositivos protéticos impressos em 3D, além de adaptadores funcionais e órteses. O trabalho é realizado com voluntários e acompanhamento multidisciplinar.

Esses dispositivos também não devem ser confundidos com mãos robóticas. A própria associação explica que a maioria dos modelos para membros superiores funciona mecanicamente: o movimento do punho ou do cotovelo tensiona cabos que permitem fechar os dedos e segurar objetos.

Pode parecer uma diferença apenas técnica, mas ela é importante. Próteses robóticas ou mioelétricas utilizam motores, sensores e sinais musculares para executar movimentos. Já os modelos mecânicos impressos em 3D costumam ter uma estrutura mais simples, voltada principalmente a atividades funcionais.

Ainda assim, podem ajudar crianças e adultos a segurar uma garrafa, conduzir uma bicicleta, manipular um brinquedo ou realizar determinadas tarefas cotidianas.

Como funciona a impressão 3D na saúde?

O processo normalmente começa com a criação de um modelo digital.

Esse modelo pode ser desenhado em um programa de computador, obtido por meio de um escaneamento da superfície corporal ou desenvolvido a partir de exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

O arquivo digital é dividido em camadas extremamente finas. A impressora deposita, funde ou solidifica o material camada por camada até formar a peça.

Dependendo da aplicação, podem ser utilizados polímeros, resinas, cerâmicas, metais e outros materiais. Na bioimpressão, uma área ainda experimental, são usadas formulações conhecidas como biotintas, que podem conter células vivas.

A impressão 3D permite fabricar próteses externas, implantes ortopédicos e cranianos, instrumentos cirúrgicos, restaurações odontológicas, guias para procedimentos e modelos anatômicos. Também possibilita a criação de estruturas internas difíceis de produzir com métodos industriais convencionais.

A grande diferença está na flexibilidade.

Na fabricação tradicional, a produção de um objeto personalizado pode exigir moldes, ferramentas e etapas específicas. Com a impressão 3D, alterações no formato podem ser realizadas diretamente no arquivo digital antes da fabricação.

Isso torna a tecnologia especialmente interessante quando cada paciente precisa de uma peça diferente.

Personalização não significa apenas escolher o tamanho

Uma órtese ou prótese personalizada não é simplesmente uma versão maior ou menor de um modelo padronizado.

O projeto pode considerar o contorno do membro, os pontos de pressão, a amplitude de movimento, as limitações funcionais e o tipo de atividade que a pessoa pretende realizar.

Também é possível alterar a espessura, a rigidez e a distribuição do material em diferentes regiões da peça.

Para alguém que convive com artrite, sequelas de um acidente vascular cerebral, alterações neurológicas, amputação ou perda de força, pequenos ajustes podem interferir na adaptação e na capacidade de utilizar o dispositivo.

A impressão 3D ainda permite produzir estruturas vazadas, reduzindo o volume de material e favorecendo a ventilação. Dependendo do projeto e do polímero escolhido, a peça também pode ser mais leve.

Revisões científicas indicam resultados promissores relacionados ao encaixe, ao conforto, à funcionalidade e à satisfação dos usuários de órteses impressas em 3D. Contudo, os pesquisadores também apontam limitações importantes, como amostras pequenas, falta de padronização e dúvidas sobre a durabilidade dos dispositivos.

Portanto, não é correto afirmar que toda órtese impressa em 3D será automaticamente mais confortável ou eficaz.

O resultado depende da qualidade do escaneamento, do projeto digital, do material, do acabamento e da avaliação da equipe de saúde. Também depende das necessidades e das características de cada pessoa.

Próteses impressas podem ampliar o acesso

A possibilidade de produzir determinados dispositivos com impressoras de menor porte e materiais relativamente acessíveis tornou a tecnologia atraente para universidades, organizações sociais e projetos comunitários.

No caso da Associação Dar a Mão, crianças cadastradas a partir dos cinco anos podem ser indicadas para o projeto de impressão de dispositivos protéticos, recebendo também orientação e acompanhamento. A entidade destaca que as peças são produzidas e doadas por uma rede de voluntários.

A impressão 3D pode ser especialmente útil durante a infância, quando o crescimento corporal exige adaptações ou substituições periódicas.

Também pode facilitar a criação de dispositivos voltados a uma tarefa específica. Em vez de tentar reproduzir todos os movimentos de uma mão, um adaptador pode ajudar a segurar talheres, utilizar ferramentas, escrever ou praticar uma atividade.

Isso não significa que um dispositivo impresso substitua qualquer prótese convencional ou eletrônica.

Próteses de membros inferiores, por exemplo, precisam suportar cargas, impactos repetidos e condições mecânicas mais exigentes. Nesses casos, a escolha dos materiais e a validação da estrutura são decisivas para a segurança.

Uma revisão sobre próteses impressas em 3D encontrou possíveis benefícios em conforto, personalização e desempenho funcional, mas concluiu que ainda existem poucos estudos de alta qualidade e acompanhamento prolongado.

A tecnologia deve ser compreendida como mais uma ferramenta disponível, e não como substituta universal dos processos tradicionais.

Órteses podem ser desenhadas para cada necessidade

Enquanto uma prótese substitui total ou parcialmente uma estrutura ausente, a órtese tem a função de apoiar, estabilizar, proteger ou corrigir uma região do corpo.

Talas para mãos e punhos, suportes para tornozelos, coletes e palmilhas estão entre os exemplos.

Na fabricação convencional, esses dispositivos podem ser moldados diretamente sobre o corpo ou ajustados a partir de tamanhos padronizados. Com o escaneamento e a impressão 3D, torna-se possível criar um projeto digital baseado no formato do paciente.

No Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco, o HU-Univasf, iniciativas ligadas à impressão 3D já produziram órteses personalizadas para pacientes acamados.

O hospital também participa do Projeto Rede Inova, que reúne instituições de saúde, universidades e parceiros para pesquisar órteses, próteses e tecnologias assistivas. Em março de 2026, o projeto lançou um guia multiprofissional destinado a orientar os participantes da pesquisa sobre o uso seguro e consciente dos dispositivos.

A iniciativa mostra como a tecnologia começa a chegar a hospitais públicos e projetos ligados ao SUS.

Entretanto, não significa que órteses e próteses impressas em 3D estejam disponíveis de maneira uniforme em toda a rede pública. A adoção depende de infraestrutura, financiamento, equipes capacitadas, protocolos clínicos e acompanhamento dos pacientes.

Impressão 3D pode ajudar antes de uma cirurgia

Nem tudo o que é impresso precisa ser colocado no corpo.

A partir de exames de imagem, é possível fabricar réplicas de ossos, órgãos, vasos e outras estruturas anatômicas. O cirurgião pode observar e manipular o modelo físico antes do procedimento.

Em situações complexas, essa representação ajuda a compreender relações anatômicas que nem sempre são percebidas com a mesma facilidade em uma imagem bidimensional na tela.

O modelo pode ser usado para estudar o acesso cirúrgico, escolher instrumentos, prever dificuldades e discutir o procedimento com outros profissionais.

Também pode ajudar na comunicação com o paciente e a família. Segurar uma representação do órgão e visualizar a região que será operada pode facilitar a compreensão de uma explicação que seria abstrata apenas com termos médicos.

Revisões científicas apontam que modelos anatômicos impressos podem melhorar a compreensão da anatomia e apoiar o planejamento pré-operatório e a educação de profissionais e pacientes. Contudo, ainda são necessários estudos para determinar em quais situações eles realmente melhoram os resultados após a cirurgia.

Por isso, é mais correto dizer que a impressão 3D auxilia o planejamento do que afirmar que ela necessariamente reduz riscos ou garante maior sucesso.

Implantes também podem acompanhar a anatomia

A impressão 3D já é utilizada na fabricação de determinados implantes ortopédicos, cranianos, odontológicos e de coluna.

Metais como ligas de titânio podem ser empregados para criar peças resistentes e com geometrias complexas. A tecnologia também permite produzir superfícies porosas, que podem favorecer a integração entre o implante e o tecido ósseo, dependendo do produto e de sua indicação.

Alguns implantes são fabricados em tamanhos padronizados. Outros podem ser planejados a partir da anatomia de um paciente específico.

Essa possibilidade é relevante em reconstruções complexas, nas quais uma parte do osso foi perdida por trauma, infecção, alteração congênita ou retirada de um tumor.

O fato de uma peça ser personalizada, porém, não elimina as exigências de segurança.

O projeto precisa considerar resistência, desgaste, compatibilidade do material, processo de fabricação, acabamento, esterilização e rastreabilidade.

A autoridade sanitária não aprova um material de maneira genérica para qualquer finalidade. Um material considerado adequado para determinada aplicação não pode ser automaticamente utilizado em outro dispositivo com função diferente.

O custo pode diminuir, mas isso não acontece sempre

Uma das promessas mais associadas à impressão 3D é a redução de custos.

Em projetos de próteses mecânicas, adaptadores e dispositivos assistivos, a economia pode ser significativa. A fabricação digital reduz a necessidade de moldes e permite produzir poucas unidades sem montar uma grande linha industrial.

Também pode ser mais fácil corrigir ou substituir uma parte do projeto digital.

Por outro lado, a impressão 3D médica pode envolver equipamentos industriais de alto custo, softwares especializados, profissionais qualificados, materiais certificados, testes de resistência e processos rigorosos de esterilização.

Implantes metálicos e dispositivos de alto risco não são comparáveis a uma peça plástica produzida em uma impressora doméstica.

O custo final varia conforme o dispositivo, o material, a escala de produção e as exigências de segurança.

A tecnologia também não é necessariamente mais rápida em todas as situações. Antes da impressão, pode ser necessário segmentar exames, corrigir o arquivo, validar o projeto e realizar testes.

Assim, o benefício não está apenas em fabricar mais barato ou rapidamente, mas em produzir algo que seria difícil de obter por métodos convencionais.

E os medicamentos impressos em 3D?

A impressão 3D farmacêutica investiga a produção de comprimidos e outras formas de administração com doses, tamanhos, formatos e velocidades de liberação ajustáveis.

Em vez de fabricar milhões de comprimidos idênticos, seria possível produzir pequenos lotes destinados a grupos específicos ou até adaptar a dose para um único paciente.

Essa possibilidade é relevante para pessoas que têm dificuldade para engolir comprimidos, precisam de doses que não existem comercialmente ou utilizam combinações complexas de medicamentos.

Farmanguinhos, unidade da Fiocruz, mantém projetos relacionados à impressão 3D farmacêutica.

Entre as pesquisas apresentadas pela instituição estão o desenvolvimento de hidrogéis e microagulhas com paromomicina para tratamento da leishmaniose cutânea e um medicamento pediátrico com combinação de lamivudina, zidovudina e nevirapina. A instituição também destaca o potencial da tecnologia para adaptar formas e doses a diferentes condições clínicas e faixas etárias.

Pesquisadores de outros países também estudam as chamadas polipílulas, capazes de reunir mais de um princípio ativo em uma única unidade e controlar separadamente a liberação de cada substância.

A ideia poderia simplificar tratamentos de pessoas que utilizam vários medicamentos ao longo do dia.

Apesar do potencial, as polipílulas impressas ainda enfrentam desafios relacionados à precisão, estabilidade, produção em escala, controle de qualidade e aprovação regulatória.

Isso significa que a impressão personalizada de medicamentos ainda não faz parte da rotina da maioria das farmácias e serviços de saúde brasileiros.

A pesquisa está avançando, mas não se deve interromper, combinar ou modificar medicamentos por conta própria na expectativa de utilizar essa tecnologia.

A impressão 3D não torna todo medicamento mais rápido

O formato e a estrutura interna de um comprimido podem interferir na maneira como ele se desintegra e libera o princípio ativo.

A impressão 3D permite modificar essas características. Um medicamento pode ser projetado para liberar a substância rapidamente, lentamente ou em etapas.

No entanto, isso não significa que medicamentos impressos sempre agirão mais depressa.

A velocidade adequada depende do princípio ativo, da doença tratada e do objetivo clínico. Para determinadas condições, uma liberação prolongada é justamente o efeito desejado.

A vantagem potencial está no controle mais preciso do comportamento do medicamento, e não simplesmente em acelerar sua ação.

Bioimpressão utiliza células vivas

A bioimpressão é diferente da fabricação de uma prótese ou órtese plástica.

Em vez de utilizar apenas polímeros ou metais, ela trabalha com biotintas, materiais que podem conter células vivas incorporadas a uma estrutura de suporte.

O objetivo é organizar essas células em formatos que imitem características dos tecidos biológicos.

O Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, desenvolveu com a Universidade Veiga de Almeida uma bioimpressora de baixo custo e código aberto. Segundo a instituição, o equipamento possui três bicos, o que permite trabalhar com diferentes biotintas e tipos celulares na produção experimental de estruturas complexas, como um minipâncreas.

Essas estruturas podem ser utilizadas para estudar doenças, avaliar medicamentos e compreender o comportamento das células.

O trabalho representa um avanço importante para a pesquisa, porque equipamentos de bioimpressão costumam ter preços elevados. Uma plataforma mais acessível pode permitir que novos laboratórios desenvolvam estudos nessa área.

Órgãos para transplante ainda não são uma realidade

Notícias sobre a impressão de pequenos corações, rins, fígados ou pâncreas podem causar a impressão de que já é possível fabricar órgãos completos para transplante.

Ainda não é.

Grande parte dessas estruturas são modelos reduzidos, fragmentos de tecido, organoides ou construções destinadas a experimentos laboratoriais.

Um órgão humano precisa receber oxigênio e nutrientes, eliminar resíduos, manter diferentes tipos de células funcionando de maneira coordenada e integrar-se aos sistemas vascular, nervoso e imunológico.

Reproduzir toda essa complexidade continua sendo um dos maiores desafios da bioengenharia.

A bioimpressão poderá contribuir, no futuro, para a produção de tecidos destinados à reconstrução ou até para reduzir a dependência de órgãos doados. Porém, não existe atualmente uma tecnologia capaz de imprimir rotineiramente órgãos humanos completos, funcionais e seguros para transplante.

Falar em eliminar as filas de transplantes, portanto, significa tratar de uma perspectiva de longo prazo, não de uma solução já disponível.

A limpeza e a esterilização exigem cuidado

Não é correto afirmar que uma peça impressa em plástico seja automaticamente mais segura ou fácil de higienizar.

Dependendo do processo, o objeto pode apresentar pequenas ranhuras e irregularidades entre as camadas. Essas características podem dificultar a limpeza.

Além disso, diferentes materiais reagem de maneiras distintas ao calor, à umidade, ao álcool e a substâncias desinfetantes.

Um dispositivo externo que entra em contato apenas com a pele possui exigências diferentes das de um instrumento cirúrgico ou de um implante.

A esterilização também pode alterar as dimensões, a superfície ou a resistência mecânica de peças produzidas por manufatura aditiva. Essas alterações vêm sendo estudadas por autoridades regulatórias para determinar como podem afetar o desempenho dos dispositivos.

Por isso, os cuidados de limpeza devem seguir as orientações do fabricante e dos profissionais responsáveis.

O Brasil já possui regras para dispositivos personalizados

A regulamentação da impressão 3D médica não começa do zero.

No Brasil, a Anvisa publicou a RDC 925/2024, que estabelece requisitos para fabricação, comercialização, importação e exposição ao uso de dispositivos médicos personalizados.

A norma abrange categorias como dispositivos sob medida, paciente-específicos e adaptáveis. Também estabelece responsabilidades para fabricantes e importadores, considerando a classe de risco e as características dos produtos.

Uma prótese, órtese ou implante não se torna seguro apenas porque foi criado para uma pessoa específica.

O fabricante precisa controlar o processo, documentar os materiais, validar a produção e manter a rastreabilidade quando exigida.

A rápida evolução tecnológica continuará exigindo atualizações das regras, sobretudo nas áreas de medicamentos personalizados e bioimpressão.

O acompanhamento profissional continua indispensável

É possível encontrar na internet arquivos para imprimir suportes, adaptadores, talas e até partes de próteses.

Entretanto, um arquivo digital não substitui uma avaliação clínica.

Uma peça mal ajustada pode gerar pontos de pressão, feridas, dor, limitação de movimento ou sobrecarga de outras articulações. Um dispositivo que suporta peso também pode quebrar quando não foi projetado ou testado adequadamente.

Médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, ortopedistas, protesistas, engenheiros e outros profissionais podem participar das diferentes etapas, conforme o tipo de dispositivo.

O acompanhamento também é importante depois da entrega. O corpo muda, o quadro clínico evolui e o uso diário pode revelar a necessidade de ajustes.

A personalização não termina quando a impressora é desligada.

Ela inclui entender como a pessoa utiliza a peça, quais tarefas deseja realizar e quais adaptações serão necessárias ao longo do tempo.

O que perguntar antes de utilizar um dispositivo impresso?

Ao receber a indicação de uma prótese, órtese ou outro dispositivo fabricado em 3D, é importante compreender:

Quem desenvolveu o projeto?

Qual profissional avaliou o encaixe?

Que material foi utilizado?

O dispositivo suporta o tipo de esforço ao qual será submetido?

Como ele deve ser limpo?

Qual é a durabilidade estimada?

Existem sinais de alerta que indiquem a necessidade de suspender o uso?

Quem fará os ajustes e o acompanhamento?

Essas perguntas não representam desconfiança em relação à tecnologia. Elas fazem parte do uso seguro de qualquer dispositivo médico.

Uma medicina mais personalizada, mas não instantânea

A impressão 3D já deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica.

Ela é utilizada na produção de determinados implantes, próteses, órteses, instrumentos, restaurações odontológicas e modelos para planejamento cirúrgico.

Ao mesmo tempo, medicamentos personalizados, tecidos bioimpressos e órgãos para transplante permanecem em estágios diferentes de pesquisa e desenvolvimento.

A principal contribuição da tecnologia talvez esteja na possibilidade de deixar de adaptar todas as pessoas ao mesmo produto e começar a adaptar o produto às necessidades de cada pessoa.

Isso pode representar mais conforto, funcionalidade, autonomia e precisão.

Mas os benefícios não surgem apenas da impressora.

Eles dependem de um projeto bem elaborado, de materiais adequados, de avaliação profissional, de controle de qualidade e de acompanhamento durante o uso.

Fechamento

A impressão 3D está mudando a maneira como a medicina planeja, fabrica e personaliza determinadas soluções.

No Brasil, associações, universidades, hospitais públicos e instituições de pesquisa já utilizam a tecnologia para desenvolver dispositivos protéticos, órteses, modelos anatômicos, medicamentos experimentais e estruturas semelhantes a tecidos.

Ainda existe uma distância importante entre o que é possível demonstrar em laboratório e aquilo que pode ser oferecido com segurança a um paciente.

Reconhecer essa diferença não diminui o valor da inovação. Pelo contrário, ajuda a compreender onde estão os avanços reais e quais promessas ainda dependem de anos de pesquisa.

A medicina do futuro talvez seja cada vez menos padronizada. Próteses, tratamentos e medicamentos poderão considerar com maior precisão a anatomia, a rotina e as necessidades individuais.

Parte desse futuro já começou a ser impressa, camada por camada.

Fontes consultadas

Associação Dar a Mão. “O que é a Dar a Mão” e “Solicitação de Dispositivos 3D”.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC 925, de 19 de setembro de 2024, e informações sobre dispositivos médicos personalizados.

Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco. Informações sobre o Projeto Rede Inova, produção de órteses personalizadas e Guia Multiprofissional de Boas Práticas em Impressão 3D.

Instituto de Tecnologia em Fármacos, Farmanguinhos/Fiocruz. “Centro de Estudos debate impressão 3D de medicamentos”. Publicado em 26 de setembro de 2024.

Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz. “Da sucata à saúde pública”. Informações sobre o desenvolvimento de uma bioimpressora de baixo custo para produção experimental de tecidos biológicos.

Food and Drug Administration. “3D Printing of Medical Devices”, “Medical Applications of 3D Printing” e estudos sobre os efeitos da esterilização em dispositivos produzidos por manufatura aditiva.

PubMed. Revisões científicas sobre resultados clínicos de próteses e órteses impressas em 3D, modelos anatômicos, planejamento cirúrgico e medicamentos personalizados.

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