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A poupança ainda vale a pena? R$ 41,7 bilhões foram retirados em quatro meses

Dados do Banco Central mostram o esvaziamento da caderneta. Conheça opções mais rentáveis e seguras para o seu patrimônio.

A poupança ainda vale a pena? R$ 41,7 bilhões foram retirados em quatro meses
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A caderneta de poupança registrou R$ 41,7 bilhões em retiradas líquidas entre janeiro e abril de 2026. Isso significa que, nesse período, os brasileiros sacaram mais dinheiro da poupança do que depositaram. Os dados são do Banco Central.

O número chama atenção, mas não significa que a poupança tenha provocado prejuízo de R$ 41,7 bilhões aos investidores. Trata-se de saída de recursos, não de perda financeira.

Para quem está próximo ou já vive a aposentadoria, entender como a poupança funciona ajuda a comparar rendimento, liquidez, tributação e proteção com outras modalidades de renda fixa.

Por que tanto dinheiro está saindo da poupança?

Uma das explicações está na forma como a caderneta é remunerada.

Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, a TR. Quando a Selic está em 8,5% ou menos, o rendimento passa a ser equivalente a 70% da Selic, mais a TR. Essa regra é definida por lei.

Em agosto de 2026, a meta da Selic está em 14% ao ano. Portanto, a poupança permanece na regra de 0,5% ao mês mais TR.

Isso ajuda a entender por que aplicações diretamente ligadas à Selic ou ao CDI podem apresentar rendimentos diferentes da poupança quando os juros estão elevados.

Há, porém, outras diferenças que precisam entrar nessa comparação. A poupança é isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas e permite o resgate do dinheiro a qualquer momento. O rendimento é creditado mensalmente, na chamada data de aniversário do depósito. Se o dinheiro for retirado antes dela, não há remuneração referente àquele período.

A poupança está fazendo o dinheiro perder para a inflação?

Não necessariamente.

Em 2024, por exemplo, a poupança acumulou rendimento de aproximadamente 7,03%. No mesmo ano, o IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, ficou em 4,83%. Na comparação anual, portanto, a rentabilidade da poupança ficou acima da inflação.

Isso é importante porque “perder para a inflação” significa que o rendimento ficou abaixo da alta dos preços no mesmo período.

O resultado pode mudar de um ano para outro. Por isso, não é correto afirmar que deixar dinheiro na poupança significa necessariamente perder poder de compra.

O que muda para quem está pensando na aposentadoria?

Na fase de aposentadoria, três características dos investimentos costumam ganhar relevância: quanto o dinheiro rende, quando ele pode ser retirado e a quais riscos está exposto.

A idade, sozinha, não determina qual aplicação é adequada. Produtos de renda fixa podem ter diferenças importantes de prazo, liquidez, tributação e risco.

Veja como funcionam algumas das modalidades mais conhecidas.

Poupança

É uma aplicação bancária com rendimento definido por lei.

Com a Selic acima de 8,5%, rende 0,5% ao mês mais TR. Para pessoas físicas, o rendimento é isento de Imposto de Renda. O dinheiro pode ser retirado a qualquer momento, embora o saque antes da data de aniversário faça o investidor perder o rendimento daquele período.

A poupança também está entre os produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título público federal cuja rentabilidade está vinculada à taxa Selic.

Os títulos do Tesouro Direto têm liquidez diária, mas o valor recebido em uma venda antecipada é determinado pelo preço de mercado daquele momento. O Tesouro Selic tende a apresentar menor oscilação de preço do que títulos prefixados e IPCA+.

Títulos públicos não possuem cobertura do FGC porque são emitidos pelo Governo Federal.

Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ combina a variação da inflação medida pelo IPCA com uma taxa de juros definida na compra.

Mantido até o vencimento, o título entrega a remuneração contratada, composta pelo IPCA mais a taxa pactuada. Se for vendido antes, o preço pode subir ou cair de acordo com as condições do mercado.

Por isso, sua dinâmica é diferente da poupança, mesmo sendo um investimento de renda fixa.

Tesouro RendA+

O Tesouro RendA+ foi criado especificamente com foco na formação de renda para a aposentadoria.

Durante a fase de acumulação, o investidor compra títulos. A partir da data escolhida para conversão, os recursos passam a ser pagos mensalmente durante 20 anos, em 240 parcelas.

O título é corrigido pelo IPCA e acrescido da taxa contratada no momento da compra.

CDB

O Certificado de Depósito Bancário é emitido por instituições financeiras.

Ele pode ter rendimento prefixado, estar ligado ao CDI ou combinar uma taxa com um índice de inflação. A liquidez depende de cada produto. Existem CDBs com resgate diário e outros em que o dinheiro precisa permanecer aplicado por determinado período.

Diferentemente da poupança, os rendimentos de CDB estão sujeitos a Imposto de Renda. Por isso, uma comparação correta precisa considerar o retorno líquido após os impostos, e não apenas a taxa anunciada.

Os CDBs estão entre os produtos cobertos pelo FGC, respeitados os limites da garantia.

LCI e LCA

As Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio também são emitidas por instituições financeiras.

Elas podem ter diferentes formas de remuneração e prazos. A liquidez varia conforme a emissão, e o dinheiro nem sempre pode ser retirado a qualquer momento.

Em 2026, os rendimentos de LCI e LCA continuam isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. Uma proposta que previa mudanças na tributação chegou a ser apresentada em 2025, mas perdeu a validade.

LCIs e LCAs também contam com cobertura do FGC dentro dos limites estabelecidos.

E os fundos de renda fixa?

Fundos de renda fixa reúnem o dinheiro de diversos investidores em uma carteira administrada profissionalmente. Pela regulamentação, pelo menos 80% do patrimônio de um fundo classificado como renda fixa deve estar exposto a ativos relacionados a esse fator de risco.

As taxas, os prazos de resgate, a tributação e os riscos variam de acordo com cada fundo.

Fundos de investimento não contam com cobertura do FGC.

O que exatamente o FGC protege?

O Fundo Garantidor de Créditos protege determinados depósitos e investimentos emitidos por instituições financeiras.

Entre os produtos cobertos estão:

  • poupança;
  • CDB e RDB;
  • LCI;
  • LCA;
  • Letras de Câmbio;
  • alguns outros depósitos e títulos bancários previstos nas regras do fundo.

A garantia ordinária é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em garantias recebidas dentro de um período de quatro anos.

Tesouro Direto, fundos de investimento, debêntures, CRIs e CRAs não estão entre os produtos cobertos pelo FGC.

Então a poupança deixou de ser segura?

Os dados de saques não significam que a poupança deixou de ser segura nem que quem mantém dinheiro nela esteja necessariamente perdendo patrimônio.

Eles mostram que mais recursos estão saindo da caderneta do que entrando.

Para comparar a poupança com outros investimentos, é necessário observar quatro pontos: rentabilidade líquida, inflação, prazo para resgate e risco.

Uma aplicação que apresenta taxa maior pode ter imposto, prazo de carência ou oscilação de preço. Outra pode render menos, mas permitir acesso imediato aos recursos.

Por isso, a comparação não deve considerar apenas a porcentagem de rendimento anunciada.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem considerar objetivos, prazo, necessidade de liquidez e perfil de risco.

Fontes consultadas

Banco Central do Brasil, Relatório de Poupança e regras de remuneração da caderneta. Banco Central do Brasil

Banco Central do Brasil, histórico da Taxa Selic. Histórico da Selic

IBGE, IPCA de 2024. IBGE: inflação de 2024

Tesouro Direto, informações sobre Tesouro RendA+. Tesouro RendA+

Portal do Investidor do Governo Federal, informações sobre títulos públicos, poupança, CDB, LCI e LCA. Portal do Investidor

Fundo Garantidor de Créditos, produtos e limites de cobertura. FGC: garantia e limites

Receita Federal, tributação de rendimentos de poupança, LCI e LCA. Receita Federal

Senado Federal, encerramento da vigência da Medida Provisória nº 1.303/2025. Senado Federal

Serasa, Mapa da Inadimplência de março de 2024. Serasa: Mapa da Inadimplência

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