Talvez você já tenha feito este movimento sem perceber: afastou um pouco o celular para conseguir ler uma mensagem, aumentou o brilho da tela ou pediu para alguém repetir o que foi dito em um vídeo.
A solução nem sempre está em trocar de aparelho.
Os smartphones atuais carregam uma quantidade de recursos de acessibilidade que podem modificar a forma como enxergamos, ouvimos e controlamos o dispositivo. No iPhone, a Apple reúne essas ferramentas em categorias relacionadas à visão, audição, mobilidade, fala e aprendizado. No Android, o Google oferece recursos semelhantes, embora os nomes e caminhos possam variar de acordo com a marca e o modelo do aparelho.
Na prática, o mesmo celular que você utiliza hoje pode ser configurado de outra maneira daqui a alguns anos.
Quando a letra começa a parecer pequena
Aumentar apenas o brilho nem sempre resolve.
Tanto iPhones quanto aparelhos Android permitem aumentar o tamanho das letras e ampliar partes da tela. Há também ajustes de contraste, negrito e outras formas de deixar as informações mais fáceis de visualizar.
No Android, o Modo de Leitura permite mudar tamanho e tipo da fonte, espaçamento entre linhas, contraste e até ouvir determinados textos em voz alta. O recurso funciona em smartphones com Android 9 ou superior, embora tenha algumas limitações de conteúdo.
No iPhone, recursos como Zoom, Tela e Tamanho do Texto e leitura de conteúdo ficam reunidos dentro do menu Acessibilidade. O aparelho também pode funcionar como uma lupa para ampliar objetos e informações ao redor.
É uma mudança simples, mas importante: adaptar a tela ao usuário, em vez de obrigar o usuário a se adaptar à tela.
E se ficar mais difícil acompanhar o que está sendo dito?
O celular também pode transformar som em texto.
No Android, a Legenda Instantânea pode gerar legendas automaticamente para conteúdos de mídia e chamadas em aparelhos compatíveis. O Google informa que a disponibilidade depende do dispositivo, da versão do sistema e do idioma.
O iPhone também oferece Legendas ao Vivo em modelos compatíveis, permitindo acompanhar por texto o áudio reproduzido em aplicativos e até conversas ao redor. A própria Apple alerta que a disponibilidade depende do idioma e da região e que o recurso não deve ser utilizado como única referência em situações de emergência.
Há ainda integração com aparelhos auditivos. Modelos compatíveis podem ser conectados diretamente ao smartphone, permitindo receber áudio e controlar determinadas configurações pelo próprio dispositivo.
No ecossistema da Apple, o recurso Ouvir ao Vivo pode transformar o iPhone em um microfone remoto: o aparelho é colocado próximo à pessoa que está falando e transmite o som para dispositivos auditivos compatíveis.
Quando tocar na tela se torna menos confortável
Nem toda mudança relacionada ao uso do celular acontece na visão ou na audição.
Precisão nos movimentos, tremores ou dificuldade para realizar determinados gestos também podem tornar tarefas simples mais trabalhosas.
No iPhone, o AssistiveTouch permite substituir gestos ou pressionamentos de botões por comandos mais simples na tela. Já o Controle por Voz permite navegar, tocar em itens, realizar gestos e digitar utilizando comandos falados.
No Android, o Voice Access também permite controlar o aparelho pela voz. Há ainda diferentes atalhos de acessibilidade que podem reduzir a quantidade de movimentos necessários para chegar a funções usadas com frequência.
Ou seja: se amanhã tocar em um botão pequeno ficar mais difícil, talvez não seja necessário abandonar aquela função. Pode ser possível simplesmente acessá-la de outra forma.
Até a tela pode ficar mais simples
Ter cada vez mais aplicativos, notificações e ícones disponíveis também pode tornar o smartphone mais confuso.
No iPhone, existe o chamado Acesso Assistivo. Ele foi desenvolvido principalmente para facilitar o uso do aparelho por pessoas com deficiência cognitiva e oferece uma interface simplificada, com ícones e textos maiores e possibilidade de restringir a tela aos aplicativos mais importantes.
É um bom exemplo de uma mudança importante no desenvolvimento da tecnologia: oferecer mais funções não significa necessariamente mostrar todas elas ao mesmo tempo.
Para determinadas pessoas, um celular mais fácil de usar pode ser justamente aquele que mostra menos coisas.
Que tal testar antes de precisar?
Você não precisa ativar todos esses recursos.
Uma boa experiência pode começar por um ajuste pequeno.
No iPhone, abra Ajustes > Acessibilidade. No Android, procure Configurações > Acessibilidade. Os nomes das opções podem mudar conforme o modelo e a versão do sistema.
Experimente aumentar um pouco a fonte. Teste a ampliação. Veja como funciona a leitura em voz alta. Descubra se o seu aparelho oferece legendas automáticas. Configure um atalho para aquela função que poderia facilitar sua rotina.
A acessibilidade costuma ser lembrada quando uma dificuldade já apareceu. Mas talvez uma das ideias mais interessantes desses recursos seja justamente a possibilidade de fazer o contrário: conhecer hoje as ferramentas que poderão tornar a tecnologia mais confortável amanhã.
O celular pode continuar envelhecendo com você.
Desde que você saiba que ele também pode mudar.
Fontes:
- Apple Support — Manual de Uso do iPhone e recursos de acessibilidade;
- Apple Support — Acesso Assistivo, AssistiveTouch, Legendas ao Vivo e dispositivos auditivos;
- Google — Ajuda do Acessibilidade no Android;
- Google — TalkBack, Voice Access, Legenda Instantânea e Modo de Leitura.
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