Saúde

Um dos maiores especialistas em longevidade revela os 4 alimentos que evita ter em casa

Conhecido pelos estudos sobre as chamadas Zonas Azuis, o pesquisador e autor defende uma estratégia simples: dificultar o acesso cotidiano aos alimentos que menos favorecem uma alimentação saudável.

Um dos maiores especialistas em longevidade revela os 4 alimentos que evita ter em casa
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Refrigerantes açucarados, salgadinhos, doces industrializados e carnes processadas. Esses são os quatro grupos de alimentos que Dan Buettner costuma recomendar que não sejam mantidos dentro de casa.

O conselho voltou a circular após uma publicação repercutida pelo Terra em setembro. Buettner, explorador da National Geographic, autor de livros sobre longevidade e criador do conceito das Zonas Azuis, pesquisa há cerca de duas décadas os hábitos de populações conhecidas pela elevada presença de pessoas longevas.

A proposta dele não é afirmar que uma pessoa nunca mais possa comer esses produtos. O raciocínio é ambiental: se determinados alimentos não estiverem disponíveis o tempo todo dentro de casa, a tendência é reduzir o consumo por impulso.

O que está na lista

Em entrevistas ao longo dos últimos anos, Buettner cita quatro grupos principais: carnes processadas, como salsicha e presunto; bebidas adoçadas com açúcar; salgadinhos e outros snacks salgados; e doces industrializados.

A lista tem bastante relação com as recomendações oficiais brasileiras. O Guia Alimentar para a População Brasileira orienta evitar ultraprocessados e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados. Entre os exemplos citados pelo Ministério da Saúde estão refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados e produtos prontos para consumo.

Para a população idosa, o próprio Ministério reforça a orientação de reduzir ultraprocessados e dar preferência a frutas, legumes, ovos, grãos e outros alimentos pouco processados.

O que a ciência já encontrou

Entre os itens citados por Buettner, as carnes processadas têm uma evidência particularmente importante. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, classificou esse tipo de carne como carcinogênico para humanos devido às evidências relacionadas ao câncer colorretal.

Isso não significa que comer uma fatia de presunto tenha o mesmo risco que fumar, comparação que costuma gerar confusão. A classificação indica a força da evidência de que existe relação causal, e não que os riscos tenham a mesma magnitude.

Também há um conjunto crescente de estudos sobre ultraprocessados. Uma revisão publicada no British Medical Journal em 2024 reuniu dados de quase 10 milhões de participantes e encontrou associações entre maior consumo desses produtos e diversos desfechos adversos de saúde, principalmente doenças cardiometabólicas e mortalidade.

Grande parte das evidências analisadas era observacional. Portanto, os resultados mostram associação e não permitem atribuir todos esses problemas exclusivamente aos ultraprocessados.

O que realmente pesa na longevidade

A lista pode ser útil como orientação, mas não funciona como uma fórmula para chegar aos 90 ou 100 anos.

Longevidade depende de uma combinação de fatores que inclui genética, alimentação, atividade física, sono, acesso à saúde, condições sociais e ausência de tabagismo, entre outros aspectos.

As próprias pesquisas associadas às Zonas Azuis observam um padrão mais amplo de vida, que inclui alimentação predominantemente baseada em vegetais, movimento diário e relações sociais, e não apenas a retirada de quatro alimentos da despensa.

O que pode mudar na cozinha

Uma forma simples de aplicar a ideia é olhar para o que está disponível no dia a dia.

Em vez de manter refrigerantes e salgadinhos sempre à mão, o Guia Alimentar brasileiro recomenda que alimentos in natura e preparações culinárias sejam a base das refeições. Frutas, feijão, legumes, verduras, ovos e outras opções minimamente processadas podem ocupar o espaço dos produtos consumidos principalmente por conveniência.

Isso também evita transformar alimentação saudável em uma lista rígida de proibições. A frequência, a quantidade e o conjunto da dieta importam.

A principal mensagem da estratégia de Buettner é simples: organizar o ambiente pode ajudar a tornar escolhas saudáveis mais fáceis. A ciência não permite afirmar que eliminar quatro produtos fará alguém viver até os 100 anos, mas reduzir a presença de ultraprocessados na alimentação está alinhado às recomendações de saúde pública disponíveis hoje.

Fontes:

  • Ministério da Saúde, Guia Alimentar para a População Brasileira.
  • Ministério da Saúde, orientações de alimentação saudável para a pessoa idosa.
  • Organização Mundial da Saúde e IARC, informações sobre carnes processadas e câncer.
  • British Medical Journal, revisão sobre ultraprocessados e desfechos de saúde, 2024.
  • National Geographic, informações sobre Dan Buettner e as Zonas Azuis.
  • Terra, “O maior especialista mundial em longevidade revela os quatro alimentos que nunca comeria”

Reprodução: World Economic Forum / danbuettner.com

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