Apenas 12% dos integrantes da geração Z que ainda não são aposentados afirmam já ter começado uma reserva financeira para essa etapa da vida. Outros 66% dizem que ainda não começaram, mas pretendem fazê-lo, enquanto 22% não iniciaram e também não demonstram intenção de começar.
Os dados são da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha.
Somados, 88% dos jovens pesquisados ainda não possuem essa reserva, número que deu origem à expressão de que aproximadamente nove em cada dez não poupam para a aposentadoria. A pesquisa ouviu 5.832 pessoas entre 4 e 21 de novembro de 2025 e considera como geração Z pessoas de 16 a 29 anos.
O levantamento mostra que o tema já está no radar dos mais jovens, mas a intenção ainda não se transformou em hábito financeiro.
O longo prazo ainda perde espaço
A dificuldade de poupar não aparece apenas quando o assunto é aposentadoria.
Segundo a Anbima, 33% dos brasileiros conseguiram economizar algum dinheiro em 2025, enquanto 31% declararam não possuir nenhuma reserva para despesas inesperadas.
Esse dado ajuda a explicar por que objetivos de longo prazo acabam adiados. Antes de pensar em recursos para daqui a 30 ou 40 anos, muita gente ainda tenta criar proteção para despesas mais imediatas, como desemprego, problemas de saúde ou perda de renda.
O acesso à educação financeira também continua limitado. Apenas 21% dos entrevistados disseram já ter participado de algum curso, aula, treinamento ou palestra sobre o assunto. Entre os investidores, o percentual chega a 33%. Entre os não investidores, cai para 14%.
Guardar para aposentadoria não é o mesmo que contribuir para o INSS
Há uma distinção importante na leitura dos dados.
Quando a pesquisa pergunta se a pessoa começou uma “reserva para aposentadoria”, trata de dinheiro acumulado por conta própria para o futuro. Isso não significa que 88% dos jovens estejam fora do INSS ou sem cobertura previdenciária.
A previdência pública e a previdência complementar são estruturas diferentes. Segundo o Ministério da Previdência Social, a previdência complementar funciona como proteção adicional e tem adesão facultativa.
Também é possível formar patrimônio para a aposentadoria por outros tipos de investimento. A escolha depende de fatores como prazo, renda, objetivos, taxas, tributação, liquidez e risco.
O Brasil envelhece rapidamente
A discussão ganha peso porque a estrutura etária do país está mudando.
Em 2000, pessoas com 60 anos ou mais representavam 8,7% da população brasileira. Em 2023, já eram 15,6%. Pelas projeções do IBGE, esse grupo poderá chegar a aproximadamente 37,8% da população em 2070.
As gerações que hoje estão entrando no mercado de trabalho devem, portanto, envelhecer em um país com uma proporção muito maior de pessoas idosas.
Isso não determina quanto cada pessoa deverá poupar nem significa que a previdência pública deixará de existir. O cenário reforça, porém, a importância de entender com antecedência de onde poderá vir a renda na aposentadoria.
Como começar a organizar o futuro
O planejamento não precisa começar pela contratação imediata de um produto financeiro. Algumas medidas básicas ajudam:
- verificar se há contribuição regular para a previdência pública;
- entender quanto entra e quanto sai do orçamento mensal;
- formar uma reserva para imprevistos;
- definir um horizonte para a aposentadoria;
- comparar taxas, tributação, liquidez e riscos antes de escolher investimentos ou previdência privada.
Começar cedo amplia o tempo disponível para acumular recursos, mas o planejamento também pode ser iniciado em outras fases da vida. O valor e a estratégia dependem da idade, da renda e dos objetivos de cada pessoa.
Entre a intenção e a prática
A pesquisa mostra uma diferença clara entre querer se preparar e efetivamente começar.
Enquanto 66% dos jovens afirmam que pretendem formar uma reserva, apenas 12% já deram esse passo. Renda limitada, ausência de reserva de emergência e pouco contato com educação financeira ajudam a explicar parte dessa distância.
Em um país que envelhece rapidamente, acompanhar como as novas gerações estão se preparando para a aposentadoria será cada vez mais importante para entender os desafios financeiros das próximas décadas.
Fontes:
- Anbima e Datafolha, 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, 2026.
- Anbima, divulgação dos resultados da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, 2026.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Projeções da População do Brasil, revisão 2024.
- Ministério da Previdência Social, informações sobre previdência complementar.
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