Longevidade sem autonomia é apenas tempo.

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Depois da minha cirurgia, uma pergunta começou a aparecer com frequência.

Curiosamente, ela não era sobre trabalho.

Também não era sobre dinheiro.

Muito menos sobre sucesso.

Era outra.

Eu vou continuar sendo relevante?

Demorei um tempo para entender por que essa pergunta me acompanhava tanto.

Hoje acredito que ela nunca foi apenas sobre carreira.

Era sobre autonomia.

Porque viver mais sempre foi um desejo da humanidade.

Mas viver mais sem poder escolher os próprios caminhos me parece uma ideia incompleta.

Há alguns anos venho levantando uma hipótese.

Quando falamos em longevidade, quase sempre pensamos em alimentação, atividade física,

medicina e genética.

Tudo isso é essencial.

Mas talvez exista outra dimensão da longevidade sobre a qual ainda falamos pouco.

A capacidade de continuar aprendendo.

Continuar se transformando.

Continuar contribuindo.

Continuar gerando valor.

Construir uma vida profissional que nos permita continuar nos transformando e encontrando

sentido ao longo dos anos.

Tenho observado pessoas que chegaram aos sessenta, setenta ou oitenta anos com saúde.

Algumas perderam a curiosidade.

Outras deixaram de acreditar que ainda poderiam aprender.

Algumas esperam os dias passarem.

Outras continuam começando projetos.

Estudando.

Empreendendo.

Ensinando.

Conhecendo pessoas novas.

Aprendendo a usar tecnologias que jamais imaginaram conhecer.

E quer saber?

Também comecei a observar outra coisa.

Há pessoas que continuam trabalhando porque gostam.

Outras porque ainda precisam gerar renda.

As histórias são diferentes.

Mas muitas delas compartilham algo em comum.

Permanecem em movimento.

Continuam desafiando a própria mente.

Continuam convivendo com pessoas de diferentes gerações.

Continuam aprendendo.

Isso não significa que depender financeiramente do trabalho seja o ideal.

Ao contrário.

Acredito profundamente que autonomia financeira amplia nossa liberdade de escolha.

O que me chama atenção é outra coisa.

Permanecer ativo parece preservar muito mais do que a renda.

Preserva vínculos.

Curiosidade.

Aprendizagem.

Saúde mental.

E, muitas vezes, até a saúde física.

Talvez seja por isso que hoje penso diferente.

Não acredito que longevidade seja apenas viver mais.

Começo a acreditar que longevidade seja preservar, ao longo da vida, a capacidade de continuar

escolhendo.

Escolher aprender.

Escolher contribuir.

Escolher construir.

Escolher recomeçar.

Escolher continuar relevante, antes de tudo, para nós mesmos.

Porque existe uma diferença enorme entre continuar trabalhando por obrigação e continuar

contribuindo por escolha.

É justamente essa diferença que me faz acreditar que autonomia não acontece.

Ela é construída.

E talvez esse seja um dos projetos mais importantes da segunda metade da vida.

Experimento da Semana

Pense em alguém que você admira e que continua ativo aos sessenta, setenta ou oitenta

anos.

O que essa pessoa preservou ao longo da vida?

Conhecimento?

Curiosidade?

Disciplina?

Relacionamentos?

Capacidade de aprender?

Talvez a resposta diga mais sobre longevidade do que imaginamos.

A pergunta que ficou comigo esta semana

O que você está construindo hoje para continuar escolhendo quem deseja ser daqui a dez,

vinte ou trinta anos?

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