Política

Em 2026, quase 1 em cada 4 eleitores no Brasil terá 60 anos ou mais

Com 37,5 milhões de votos, essa faixa etária redefine as estratégias de campanha e pautas presidenciais.

Em 2026, quase 1 em cada 4 eleitores no Brasil terá 60 anos ou mais
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Com 37,5 milhões de pessoas aptas a votar, o eleitorado 60+ ganha peso na disputa presidencial e coloca o envelhecimento definitivamente no centro do debate político brasileiro.

Nas eleições de 2026, quase um em cada quatro eleitores brasileiros terá 60 anos ou mais. São 37,46 milhões de pessoas nessa faixa etária, o equivalente a 23,6% de todo o eleitorado nacional, segundo dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O número ajuda a dimensionar uma transformação que vem acontecendo silenciosamente nas urnas. Em 2010, o Brasil tinha cerca de 20,8 milhões de eleitores com 60 anos ou mais. Dezesseis anos depois, esse contingente cresceu aproximadamente 80%. No mesmo período, o eleitorado brasileiro como um todo aumentou cerca de 17%. Ou seja, proporcionalmente, o grupo 60+ avançou quase cinco vezes mais.

Mais do que uma mudança estatística, os números revelam uma nova realidade para quem pretende disputar a Presidência da República: o eleitor maduro se tornou um segmento grande demais para ocupar um espaço secundário nas estratégias eleitorais.

O Brasil que envelhece também está chegando às urnas

O crescimento do eleitorado mais velho acompanha uma transformação demográfica maior. Segundo o IBGE, as pessoas com 60 anos ou mais representavam 15,8% da população brasileira no Censo de 2022. Em 2025, essa participação já havia chegado a 16,6%.

Ao mesmo tempo, o peso relativo das gerações mais jovens diminui. Entre 2022 e 2026, por exemplo, o número de eleitores entre 21 e 34 anos caiu de 43,8 milhões para 41 milhões. A participação desse grupo no eleitorado recuou de 28% para 25,85%. Já entre aqueles com 60 anos ou mais, ocorreu o movimento contrário: a participação subiu de 21,02% para 23,6% em apenas quatro anos.

Isso não significa que exista um bloco eleitoral homogêneo capaz de decidir sozinho uma eleição. Significa, porém, que qualquer candidatura presidencial que pretenda alcançar uma parcela ampla do país precisará compreender melhor esse eleitor.

O tamanho do grupo chama ainda mais atenção quando observado diante do histórico recente. Em 2022, a diferença entre os dois candidatos no segundo turno presidencial foi de aproximadamente 2,14 milhões de votos. O contingente de eleitores com 60 anos ou mais que entrou no cadastro eleitoral entre 2022 e 2026, sozinho, aumentou em mais de 4,5 milhões de pessoas.

Os números não permitem afirmar como esse público votará em 2026, mas ajudam a explicar por que conquistá-lo tende a ser cada vez mais relevante para as campanhas.

Uma agenda que vai muito além da aposentadoria

Durante muito tempo, falar com o eleitor mais velho significava concentrar o discurso em Previdência, aposentadorias e acesso à saúde. Esses temas continuam importantes, mas já não são suficientes para representar a diversidade da população madura brasileira.

O envelhecimento coloca na agenda questões que atravessam praticamente todas as áreas de governo. Custo de vida, acesso a medicamentos, atendimento especializado em saúde, segurança, mobilidade urbana, moradia, proteção contra golpes financeiros, inclusão digital, permanência no mercado de trabalho e combate ao etarismo são alguns exemplos.

Há ainda uma questão que tende a ganhar cada vez mais espaço: quem cuidará de uma população que vive mais?

O Brasil já possui uma Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei nº 15.069/2024, e um Plano Nacional de Cuidados voltado, entre outros públicos, às pessoas idosas que necessitam de apoio nas atividades da vida diária. Entre as ações previstas estão atendimento domiciliar e ampliação de serviços como centros-dia.

O tema mostra como o envelhecimento extrapola a política previdenciária. Ele envolve saúde, assistência social, trabalho, planejamento urbano, tecnologia e também as famílias que assumem boa parte da responsabilidade pelo cuidado.

Para os candidatos à Presidência, o desafio será transformar essas questões em propostas concretas para uma população que não apenas está vivendo mais, mas quer preservar autonomia, renda e participação social durante mais tempo.

O eleitor 60+ também está no ambiente digital

Outro erro seria imaginar que a comunicação com esse público acontece apenas pela televisão, pelo rádio ou por canais tradicionais.

Em 2025, 74,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais utilizaram a internet. O percentual aumentou 4,4 pontos em relação a 2024, segundo o IBGE. Embora o uso ainda seja menor que entre as faixas mais jovens, o crescimento mostra uma população madura cada vez mais conectada.

Isso significa que a disputa pelo eleitor 60+ também passa pelas redes sociais, pelos aplicativos de mensagens, pelos vídeos e pelo debate político digital. Ao mesmo tempo, amplia a importância de temas como segurança online, desinformação e prevenção a fraudes.

Para as campanhas, a consequência é clara: falar com o eleitor mais velho em 2026 não significa recorrer apenas às formas tradicionais de comunicação nem tratá-lo como alguém distante das transformações tecnológicas.

Não existe um único “voto do idoso”

Apesar da força dos números, transformar 37,5 milhões de brasileiros em uma única categoria política seria um erro.

Uma pessoa de 61 anos que continua no mercado de trabalho pode ter preocupações muito diferentes das de alguém com 85 anos que necessita de cuidados diários. Renda, escolaridade, gênero, região do país, condições de saúde, estrutura familiar e acesso a serviços também influenciam prioridades e escolhas.

O eleitorado 60+ inclui desde profissionais em plena atividade até aposentados, empreendedores, trabalhadores informais, pessoas que sustentam financeiramente suas famílias e idosos que dependem delas.

Essa diversidade talvez seja justamente o maior desafio para quem pretende conquistar esse público: não basta colocar a palavra “idoso” em um programa de governo. Será necessário compreender que envelhecimento atravessa diferentes dimensões da vida brasileira.

De público social a força eleitoral

Os 37,5 milhões de eleitores com 60 anos ou mais ajudam a colocar uma questão nova no centro das eleições de 2026.

O envelhecimento da população não pode mais ser observado apenas como uma pauta de saúde ou assistência social. Ele também passa a influenciar a composição do eleitorado, as prioridades das campanhas e as políticas que serão exigidas do próximo governo.

À medida que a pirâmide etária brasileira muda, muda também quem decide os rumos do país nas urnas.

Para os candidatos à Presidência, conquistar o eleitor maduro será parte da disputa de 2026. Para quem vencer, porém, o desafio será muito maior: governar um Brasil que envelhece rapidamente e que precisará adaptar suas políticas públicas a essa nova realidade.

A eleição pode mostrar quem consegue falar com esse eleitor. Os próximos anos mostrarão quem está preparado para governar para ele.

Fontes

  • Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Estatísticas do eleitorado das Eleições 2010 e Eleições 2026.
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): Censo Demográfico 2022 e PNAD Contínua 2025.
  • IBGE: Uso da internet pela população brasileira em 2025.
  • Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome: Política e Plano Nacional de Cuidados.

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